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Sem o antigo charme do dólar, aparentemente, a única alternativa para a sustentação do sistema hegemônico é a belicosidade exacerbada dos falcões de Washington, ostensivamente empenhados em detonar a precária trégua obtida no conflito interno na Ucrânia. Esta situação está fazendo com que alguns governos europeus comecem a perceber que os seus melhores interesses não passam necessariamente pela agenda do “Partido da Guerra” estadunidense.

Como informou na edição anterior a nossa correspondente Elisabeth Hellenbroich, o governo alemão está seriamente preocupado com a ostensiva escalada de provocações contra a Federação Russa, oriundas de Washington e do comando militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). De fato, a chanceler Angela Merkel parece estar reagindo positivamente às crescentes apreensões das elites políticas e econômicas alemãs, não apenas sobre a possibilidade de um novo conflito de grande intensidade em território europeu, mas, não menos, os impactos econômicos das sanções econômicas aplicadas à Rússia (Resenha Estratégica, 11/03/2015).

O resultado aparente é o que o ex-analista de inteligência Ray McGovern, um veterano da CIA que foi responsável pelos briefings de inteligência diários de três presidentes, considera “a mais significativa ruptura desde a IIGuerra Mundial”, nas relações bilaterais. Em entrevista à rede russa RT, ele afirmou: “Eu acho que, pela primeira vez em 70 anos, os alemães estão como que saindo da adolescência e entrando na vida adulta, e estão dispostos a ficar de pé diante dos EUA e dizer: ‘Olhem, os nossos interesses não são os mesmos que os seus. Nós não queremos uma guerra na Europa Central e vamos evitá-la!’ (RT, 12/03/2015).”

Em Washington, a irritação dos piromaníacos com a audácia germânica é indisfarçável. Em uma recente conferência na New America Foundation, o general Michael Hayden, que chefiou a CIA entre 2006 e 2009 e a Agência de Segurança Nacional (NSA), entre 1999 e 2005, ridicularizou a pretensão alemã de vir a integrar o acordo de inteligência conhecido como “Cinco Olhos”, integrado pelos EUA, Reino Unido, Canadá, Austrália e Nova Zelândia. A solicitação de Berlim foi feita após as revelações do ex-analista Edward Snowden, de que a NSA havia grampeado o celular de Angela Merkel. Pelos termos do acordo, os membros dos “Cinco Olhos” compartilham uma rede de inteligência eletrônica de alcance mundial (quadro abaixo) e não se espionam entre si.

Bases de vigilância eletrônica do sistema "Cinco Olhos" (RT)

No evento, Hayden foi enfático ao afirmar que a Alemanha jamais será integrada ao clube e ainda ironizou as reclamações alemãs sobre o grampeamento da sua chanceler: “Cinco significam cinco… É um acordo entre cinco nações para criar um grau de confiança e transparência mais profundo e revelar fraquezas. Você pode fazer quantas viagens a Washington quiser, nós não temos as chaves para transformar cinco em seis… E nós não rasgamos as nossas roupas, não choramos de indignação, apenas sabíamos que é assim que as coisas são, é assim que os adultos jogam no mundo da espionagem (RT, 11/03/2015).”

Ainda mais provocativo foi o general da reserva do Exército Robert Scales, analista militar da Fox News. Em entrevista ao apresentador Lou Dobbs, que lhe pediu para comentar o recente anúncio do envio de 3 mil militares estadunidenses à Europa Oriental, ele disparou: “Lou, eu acho que não adianta nada. Na Ucrânia, é desafiar, preparar e combater. A única maneira em que os EUA podem ter algum efeito nessa região e mudar o jogo é começar a matar russos. Matando tantos russos que até mesmo a mídia de [o presidente Vladimir] Putin não possa esconder o fato de que russos estão retornando à Pátria-Mãe em sacos pretos. Mas, dada a capacidade dos próprios ucranianos de contraatacar, de se deixar sitiar por 12 mil russos acampados no seu país (sic) – infelizmente, acho que isto não deve acontecer (Fox News, 11/03/2015).”

Embora Scales não esteja mais na ativa, ele é um ativo integrante do bem nutrido clube de militares da reserva escalados pelas redes de televisão estadunidenses para transmitir a visão belicista da política exterior estadunidense, sendo o seu ponto de vista indistinguível do dos “neoconservadores” que dominam o Departamento de Estado, o Conselho de Segurança Nacional e o comando militar da OTAN, os principais redutos do “Partido da Guerra”.

Para aumentar a pressão contra Moscou, a OTAN realizou na semana passada uma série de provocativas manobras militares na Letônia e na Estônia, a “Operação Determinação Atlântica”, que colocou forças blindadas estadunidenses a apenas 300 metros da fronteira letã com a Rússia e a 100 quilômetros de São Petersburgo, a segunda maior cidade do país. Justificando a operação, o general John O’Connor afirmou que o objetivo era treinar tropas estadunidenses para “deter a agressão russa” (AFP, 9/03/2015).

Outro oficial, o coronel Michael Foster, informou que manobras ainda maiores estão previstas: “Até o final do verão, poderemos muito bem ver uma operação que se estenda do Báltico até o Mar Negro.”

Comentando o fato, o arguto analista Finnian Cunningham observou que tamanha extensão da área de operações é semelhante à da Operação Barbarossa, a invasão da então União Soviética pela Wehrmacht de Adolf Hitler, em 1941:

Para a Rússia, o ameaçador cerco militar da Operação Determinação Atlântica tem uma ressonância profundamente ruim com o passado, e por boas razões. A Operação Barbarossa – há apenas 74 anos – está impressa na consciência russa com um imenso sofrimento humano… O Ocidente nunca sofreu na História algo com a profundidade com que o povo russo sofreu; e, por conseguinte, muitos no Ocidente, especialmente os pomposos líderes da elite, não têm ideia de quão resolutos são os russos na defesa da sua pátria. A cidade natal de Vladimir Putin é São Petersburgo, a cidade onde um milhão de pessoas morreu durante o cerco nazista.

Quando os líderes ocidentais falam até perder o fôlego sobre “defender a liberdade” e ridicularizam sem pudor os russos por serem “paranoides”, a sua assombrosa ignorância inebriante da História se torna motivo para ainda mais alarme (Strategic Culture Foundation, 13/03/2015).

Seguramente, não foi por acaso que o presidente Putin, em uma entrevista à rede RT, levada ao ar na noite do domingo 15, a propósito da celebração do aniversário da reincorporação da Crimeia à Federação Russa, afirmou que, no auge da crise, ele estava tão temeroso de um ataque ocidental que chegou a se preparar para o uso de armas nucleares, se necessário. “Nós estávamos prontos para fazer isso… [A Crimeia] é nosso território histórico. Russos vivem lá. Eles estavam em perigo. Não podíamos abandoná-los”, disse ele (RT, 15/03/2015).

Diante de tal determinação, a agressiva escalada de provocações dos piromaníacos estadunidenses adquire uma proporção extremamente perigosa, que poderá piorar ainda mais se os aliados europeus de Washington levarem adiante a sua rebeldia, percebendo que qualquer conflito envolvendo a Federação Russa será travado no seu território – e não do outro lado do Atlântico.

 

7 Comentários

  1. J Francisco Alff disse:

    A origem disto tudo é uma só : a inconformidade do lobby Sionista nos EUA conhecido por AIPAC decorrente de Putin ter evitado uma ” Primavera Árabe ” na Síria de Assad ; se ocorrer o pior Q a Rússia lembre disto e faça os responsáveis Sionistas pagar o justo preço volatilizando todo o aparato convencional & nuclear Israelense antes Q possam pensar em qquer coisa ! Duvido Q os EUA queiram cometer suicídio em solidariedade !!!!!!!!!!

  2. J Francisco Alff disse:

    Complemento : por ” aparato ” entenda-se aparato militar ; uma coisa “cirúrgica ” como fazem habitualmente em Gaza ou o ” Guetho de Varsóvia ” do Sionismo !!!!!!!!!!

  3. Victor disse:

    Até que ponto os sionistas dominam a política externa americana? Qual o limite para o domínio dos Bancos Centrais sobre as economias nacionais? A democracia morreu e esquecemos de enterrá-la? É tudo um circo para desviar a atenção da falência do cassino financeiro mundial? O Estado Islâmico é controlado por quem? A Europa é o poodle dos EUA? A primavera árabe foi obra dos EUA (mudaram seis por meia dúzia)? Até onde vai o cinismo da mídia de referência mundial? A hipocrisia ocidental é a razão dos males da humanidade? Somos todos escravos da dívida?
    O fato é que a Rússia é o único país (principalmente em aliança com a China) capaz de desafiar o ímpeto belicista americano. Os EUA, por sua vez, defendem o dólar, lastreado pela sua capacidade militar, com unhas e dentes.
    Enquanto isso segue mais uma tentativa de golpe no Brasil.

    • J Francisco Alff disse:

      Vitor :

      Morreu ; se algum dia viveu entre nós ( EUA incluso ! ) morreu pois Ela existiria para dar Poder à maioria ! E o Q se vê hoje ?????

  4. J Francisco Alff disse:

    Que o Brasil trate de ficar longe disto em Q pese os agrados da Sra Presidente à tribo dos + iguais ( tem a Veja e a Globo e + outros recém chegados como o neo rabino Edir ! ) ! Pode rolar sim um conflito limitado mas pontualmente devastador ; especialmente com a Rússia se antecipando e fazendo uso de coisas muito pesadas como um recado para Q as coisas terminem antes de começar ! Talvez seja um mal necessário para chutar o ” castelo de cartas ” do mundo pós – segunda guerra Q o Ocidente insiste em preservar eternamente postergando a multipolaridade desejada pela maioria e inevitável como tb necessária !!!!!!!!!!

  5. Itaia Muxaic de Ricart disse:

    Observado desde fora do Brasil: Sem noticia no Brasil existe agora uma luta monumental pelo dominio da geopolitica dos EUA, que tambem tem uma influencia na geopolitica da Alemanha . Alemanha esta ocupada por 60,000+ militares e miles de agentes de inteligencia e influencia politica dos EUA. (Alem de 12,000 militares de Bretanha). Nos EUA os sionistas estao numa ofensiva de ocupar o poder da estrategica geopolitica. Ate no Brasil tem sido noticia a invitacao dos republicanos para Netanyahu para falar ao congresso, sem invitacao pelo Presidente Obama. Mas agora a ofensiva esta para dominar tambem o Partido Republican, e tambem o Partido Democrats. Para entender: O comentarista conservador “anglo” americano Patrick Buchanan, que tem servido como conselheiro dos presidentes Reagan, Ford e Nixon, tinha declarado em 2011: “O congresso dos EUA e territorio ocupado por Israel!” Logo Buchanan mais ou menos tem sido expulsado do Partido Republicano. Mas agora em 2015, os sionistas tambem dominam o Partido Republican! O financiamento pela presidencia pelo canditato republicano 2016 chegara de mega-bilionarios. Sheldon Adelson , com quasi $ 80 bilhoes apoiara Jeb Bush, filho menor do Bush o pai. Mas o preco e servico incondicional aos intereses de Israel: Sheldon Adelson e o teroreiro dos “Jewish Republicans”. Adelson agora tem pressionado Jeb Bush de demitir seu conselheiro para a canditatura: James A. Baker III – da dinastia de banqueiros Baker de Houston/Texas: Baker III era Secretario de Rel. Ext. do Presidente George Herbert Walker Bush (o pai) ate 1991, e durante a primeira guerra contra o Irak “Desert Storm”. Baker III tinha atritios barulhentos com os Israelis. E o Presidente George Herbert Walker Bush tinha insinuado de que poderes fora do seu control estiveram obstaculizando a geopolitica do sua administracao. George Hebert Walker Bush tem sido o primeiro dos presidentes dos EUA constrangidos pelos sionistas, mas ainda lutava para manter o dominio dos “anglos” (old anglo-celtic stock, White Anglo-Saxon-Protestant =WASP) Logo depois 1991 Bill Clinton, um vagabundo aventureiro tinha entregado a geopolitica dos EUA ao sionistas no congresso dos EUA. Com a presidencia de George Bush – os sionistas ate ocuparam a planificacao do Pentagon – com o “arquiteto de guerra contra Iraq, Paul Wolfowitz, e Richard Perl. Obama para sobreviver tinha desde o primeiro dia como “Chief of Staff” do White House, Ron Emanuel, filho de imigrante de Isreal. Ron Emanuel e o irmao dela ate tinhan viajado para trainar como voluntarios do IDF – as forcas armadas da Israel. Pior ainda -agora acaba de anunciar sua renuncia em 2016 o Senador Harry Reed, chefe dos deputados democratas no congresso, um de poucos politicos decentes nos EUA. E parece que o proximo chefe dos deputados democratas sera o Senador Charles Schumer, um sionista. Hillary Clinton como canditata para a presidencia do Partido Democrata em 2016, tambem esta controlado por financeiros sionistas. —- Os alemaes sempre estao falando acerca dinheiro. No pensar deles a FED (Federal Reserve) dos EUA e dominado pelos sionistas que sao uma ameaca a estabilidade social na Alemanha porque o povo poupa para se aposentar. Mas a poupanca nao ganha interes desde anos : Elas pensam que e culpa da FED. A palavra
    FED na Alemanha e codico “anti-sionista” popular. — Os “cinco olhos” estao em crisis de coesao: A Bretanha, e agora a Australia, contrariando EUA, estao participando no BIIA (Bank for Infrastructure Investment for Asia) dominado pelos Chineses. Os alemaes, franceses, austricacos e outros tambem sera socios do BIIA: Pode bem ser tambem para contrariar a FED dos EUA.

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