MSIa: O "absolutismo democrático" e a "República de Meirelles" O "absolutismo democrático" e a "República de Meirelles" ================================================================================ Editoria on 16 April, 2009 03:20:00 A demissão do presidente do Banco do Brasil, Antonio Francisco de Lima Neto, necessita de uma explicação melhor do que a alegada "obsessão" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a redução dos spreads bancários. Primeiramente, porque, se o problema são os juros, o alvo principal de qualquer investida séria não deve ser o Banco do Brasil, mas o Banco Central (BC), sede do aparato de poder que desde 1994 vem submetendo o País a um regime de submissão que só pode ser definido como uma ditadura financeira, em cujo benefício têm se subordinado as políticas públicas de todos os governos desde então. Ditadura que, no momento, é exercida implacavelmente pelo presidente do BC, Henrique Meirelles, um ex-executivo do BankBoston que, como se recorda, teve a sua nomeação para o cargo anunciada pelo próprio Lula no centro do sistema financeiro internacional, Nova York. Em sua gestão, Meirelles tem cumprido exemplarmente a sua função de representante dos interesses da alta finança global, mantendo os juros básicos em níveis recordistas mundiais e assegurando aos bancos e demais detentores dos títulos da dívida pública a maior fatia do Orçamento Geral da União depois das despesas previdenciárias - pelo que não é mera retórica rotular o seu período como a "República de Meirelles". Os números da agiotagem institucionalizada são assombrosos. Segundo a Associação Nacional dos Executivos de Finanças (ANEFAC), em fevereiro último, os juros anuais médios do cheque especial fiaram em 147% (no BB, 154%) e dos cartões de crédito, 237% - tudo isso contra uma inflação de 5,9% em 2008, com previsão de não superar os 4% este ano. Portanto, se quisesse realmente demonstrar força e determinação política para confrontar a ditadura financeira que virtualmente tem escravizado o País por quase duas décadas, o presidente da República Federativa do Brasil deveria demitir sumariamente o presidente da "República de Meirelles". Em seguida, enquadraria o famigerado Conselho de Política Monetária do BC, o temido Copom, cujas reuniões periódicas são acompanhadas com uma atenção absurdamente desproporcional ao que não deveria passar de um organismo técnico submetido às diretrizes gerais de uma política de Estado comprometida com o bem comum e o bem-estar geral da sociedade, e não para atender aos interesses dos "mercados", como tem ocorrido. Entretanto, embora revestida do "absolutismo democrático" que tem sido uma marca registrada do seu governo, demonstrada em atitudes como a demarcação contínua da reserva indígena Raposa Serra do Sol (RR), a atitude de Lula sugere uma preocupação de fato com a realidade da crise global, que já deixou para trás a "fase marolinha" e se converte rapidamente numa tsunami, com sérios impactos sobre a produção industrial e agrícola do País e, consequentemente, os níveis de emprego. E não será simplesmente capitalizando os afagos artificiais de dignitários estrangeiros que o presidente poderá enfrentar a sério os graves problemas acarretados pela crise global, que ainda está longe de ter atingido o auge.