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Mohamed Alí Seineldín (1933-2009)

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image O coronel Seineldín nas Malvinas, onde comandou o Regimento 25 de Infantaria

No último dia 2 de setembro, em Buenos Aires, a Argentina e a Ibero-América perderam um grande patriota. Derrubado por um infarto fulminante, saiu de cena o ex-coronel Mohamed Alí Seineldín, herói da Guerra das Malvinas e incansável lutador contra o processo de desmantelamento das Forças Armadas de seu país e dos países ibero-americanos em geral - colocado em marcha no final da década de 1980 por inspiração e instigação do governo dos EUA e apoiado, aberta ou veladamente, pela maioria dos governos da região ao longo da década passada e com reflexos que ainda hoje se manifestam.

Por suas convicções, Seineldín pagou um altíssimo preço pessoal, que culminou com o processo que o condenou à prisão perpétua e à perda de sua patente militar, por ter assumido a responsabilidade pelo levante militar de 3 de dezembro de 1990, cujo objetivo não era um golpe de Estado, mas uma oposição de última instância à adesão incondicional do governo de Carlos Menem aos desígnios antimilitares da "Nova Ordem Mundial" proclamada pelo governo de George Bush pai. Em maio de 2003, depois de 11 anos na prisão e em grande medida em decorrência de uma campanha internacional que uniu militares e civis de vários países ibero-americanos, o então presidente Eduardo Duhalde lhe concedeu um indulto e a liberdade.

Para todos os que tiveram o privilégio de conhecê-lo de perto, Seineldín deixou o exemplo de um absoluto amor aos valores cristãos e à Pátria e, não menos, o reconhecimento da necessidade de uma união de esforços dos países ibero-americanos para se apresentar integrados diante dos desafios impostos pelas transformações globais. Tudo isso contido em uma pessoa que era ao mesmo tempo humilde, mas determinada e firme na defesa dos seus princípios.

As suas convicções estão refletidas nas palavras finais do seu depoimento perante a Câmara Federal de Apelações, em 7 de agosto de 1991: "No que tange à minha pessoa, avalizado por muitos homens mortos nas Malvinas, em luta contra o terrorismo, o capitão [Pedro] Giachino, que morreu em meu lugar [no desembarque nas Malvinas]... aleijados, exilados, homens que sofrem, famílias destruídas, produto de todo esse esforço, e com as bandeiras sempre presentes das instituições e a defesa nacional, eu me apoio no pensamento do general San Martín, em quem me embebi em minha formação militar. Ele disse: 'Quando a Pátria periga, tudo é lícito, menos deixá-la perecer.' Este foi, é e será sempre o meu compromisso."

Com ele, pode-se dizer que se vai uma encarnação da alma das Forças Armadas e da própria soberania argentinas. Ironicamente, a ausência de honras militares no seu sepultamento, mesquinhamente determinada pela ministra da Defesa Nilda Garré, soou como uma demonstração das suas próprias considerações sobre as influências externas sobre as instituições militares argentinas.

O Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa) sempre teve em Seineldín um amigo e um companheiro de trincheiras, e nos orgulhamos tanto de ter participado ativamente da campanha pela sua libertação - juntamente com o saudoso general Tasso Villar de Aquino e o vice-almirante Sergio Tasso de Aquino -, como do lançamento da edição brasileira do seu livro Malvinas, um Sentimento (2004), em parceria com o igualmente saudoso coronel Pedro Schirmer, diretor do jornal Ombro a Ombro. Por isso, no exemplo da defesa dos valores cristãos da pessoa humana, das soberanias e do progresso compartilhado das nações ibero-americanas, podemos dizer: somos todos carapintadas!

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