O "Efeito Colômbia"
Além de um golpe devastador contra as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), a extraordinária operação de inteligência e militar que resultou na libertação de 15 reféns da narcoguerrilha, entre eles a ex-senadora Ingrid Betancourt, representa uma etapa crucial de um processo de afirmação do Estado nacional colombiano, cuja relevância transcende em muito as próprias fronteiras do país e poderá ser determinante para a pacificação, reconstrução e consolidação da América do Sul como uma região comprometida com o progresso e o bem comum.
Nesse contexto, é de suma importância afastar de pronto qualquer interpretação precipitada de que a façanha das Forças Armadas colombianas teria sido um triunfo da "guerra ao terror" dirigida por Washington, mesmo reconhecendo o papel fundamental do apoio proporcionado pelos EUA aos esforços de Bogotá contra a narcoguerrilha e o narcotráfico - apoio que, mesmo em proporções bem mais modestas, tem sido sistematicamente negado pelos governos vizinhos.
Além de corroborar o acerto da estratégia de confrontação militar da narcoguerrilha adotado pelo presidente Álvaro Uribe, o mais recente de uma sucessão de golpes sofridos pelas FARC nos últimos meses confirma, igualmente, o "atestado de óbito" do Foro de São Paulo e suas redes motivadas por um ímpeto "revolucionário" já descartado até mesmo pelo seu fiel aliado, o presidente venezuelano Hugo Chávez.
Ademais, o desempenho das forças de defesa colombianas no desmantelamento de uma narcoguerrilha que até há pouco parecia invencível no campo militar pode assinalar o início do fim de uma campanha sistemática de debilitação das Forças Armadas ibero-americanas. Campanha, esta, que vem sendo encetada desde o final da década de 1980 por uma exótica aliança de interesses ligados ao Establishment anglo-americano e grupos integrantes das redes do Foro de São Paulo, sob pretextos como violações de direitos humanos, submissão ao poder civil e outros.
Nesse particular, vale ressaltar o empenho desses "defensores de direitos humanos" em desqualificar o compromisso do presidente Uribe com o enfrentamento da narcoguerrilha - pelo qual tem recebido um incontestável respaldo da população colombiana -, insistindo em apresentá-lo como vinculado a grupos paramilitares e ao próprio narcotráfico.
O exemplo colombiano mostra, de forma definitiva, que as Forças Armadas constituem instituições fundamentais para a integridade e prosperidade dos Estados nacionais da região, como ressaltou a própria ex-senadora ao ser libertada: "A ação mostra que podemos ter paz se confiarmos nas nossas Forças Armadas."
Quanto a Ingrid Betancourt e os demais reféns das FARC até agora libertados, eles deixam testemunhos de que a grande força da Colômbia são a sua cidadania, as suas instituições permanentes e a fé cristã que motivou a resistência de Ingrid e seus companheiros de cativeiro por tantos anos - a qual constitui um poderoso elemento de coesão social.
A visível debilitação da narcoguerrilha, que vive os seus estertores, pode abrir caminho para a sua desmobilização e a pacificação do país. Com isto, poderá encerrar-se um ciclo histórico de violência iniciado no limiar da Guerra Fria, com o assassinato do líder político Jorge Eliécer Gaitán, em 1948, que deu origem ao sangrento "Bogotazo" e a seis décadas de violência, das quais a narcoguerrilha representa o paroxismo. Espera-se, assim, que os colombianos possam iniciar a reconstrução de uma das nações com um dos maiores potenciais de desenvolvimento da Ibero-América, cujos desdobramentos serão cruciais para a integração e o progresso compartilhado de toda a região.



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