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A visita da presidente Dilma Rousseff ao Haiti tem o potencial de indicar uma reorientação da agenda brasileira para o país caribenho, deixando para trás o assistencialismo que caracteriza a agenda da “governança global”, para privilegiar o desenvolvimento soberano do país e enquadrando-o na categoria de real emergência global (ao contrário da agenda catastrofista que os ambientalistas pretendem defender na conferência Rio+20).

Em Porto Príncipe, Dilma demonstrou que o governo brasileiro está empenhado em manter o protagonismo na reconstrução do país, mas dando mais ênfase na cooperação em setores que contribuam efetivamente para isto, como a saúde pública, agricultura, capacitação profissional e infraestrutura.

Em declarações anteriores à viagem, a presidente afirmou que o apoio internacional ao Haiti não deveria se limitar às ações militares e à segurança pública, mas ampliado para a área social, dando como exemplo os programas brasileiros de combate à fome e erradicação da pobreza, que podem ser adaptados às condições locais (Agência Brasil, 1/02/2012).

Atualmente, o Brasil, em parceria com Cuba, desempenha um papel fundamental na reestruturação da rede de saúde pública haitiana, que, como quase toda a infraestrutura de serviços públicos, foi severamente prejudicada pelo terremoto de janeiro de 2010.

Outro setor em que a presença brasileira poderá ser crucial é o da infraestrutura, como se mostra no projeto da usina hidrelétrica Artibonite 4C, considerada fundamental pelo presidente Michel Martelly, eleito em 2011 e às voltas com grandes dificuldades para governar um país devastado, sem maioria no Parlamento.

A usina, com potência de 32 megawatts (suficiente para atender 230 mil famílias), será construída no rio Artibonite, no Sul do país, a 60 quilômetros de Porto Príncipe. O projeto básico foi efetuado pelo Instituto Militar de Engenharia (IME) e doado ao governo haitiano.

No rio, situa-se a outra hidrelétrica do país, Péligre, com potência de 54 megawatts, mas, atualmente, operando a uma capacidade menor, devido a problemas de sedimentação no reservatório (causado pelo intenso desmatamento na bacia hidrográfica) e manutenção deficiente e idade dos equipamentos. Em dezembro último, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) aprovou uma doação de 20 milhões de dólares para os reparos e a modernização da usina (BID, 15/12/2011).

Na visita, Dilma acertou com Martelly a organização de um fórum de empresas brasileiras para investir no Haiti. Uma das possibilidades, levantada pelo presidente haitiano, é a participação da Confederação Nacional da Indústria (CNI), para levar indústrias do setor têxtil para o país.

 

1 Comentário

  1. Marina Morato disse:

    A Represa Hidrelétrica de Péligre é responsável pela fome, pobreza extrema e consequentes doenças como tuberculose, aids e desnutrição dos camponeses, maioria esmagadora de habitantes do Haiti. A represa destruiu as terras antes habitadas, que forneciam alimentação para as famílias que podiam até vender o que sobrasse das plantações. Além disso os donos das terras não receberam nenhuma indenização. Destruíram a criação de porcos, usados como moeda de troca pelos habitantes, por causa da gripe suína. Se a represa beneficiou alguém foram os americanos que trabalham lá e os poucos habitantes ricos da região. É lamentável que vidas sejam destruídas em nome do progresso e do proveito de outros.

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