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Para a grande maioria dos brasileiros, que rejeita tanto os métodos como a impunidade das ações violentas do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), soou como um acinte a condecoração de João Pedro Stédile com a Grande Medalha da Inconfidência, no último dia 21 de abril, Dia de Tiradentes.

A comenda, criada em 1952 pelo então governador Juscelino Kubitschek, é a mais alta condecoração concedida pelo governo de Minas Gerais, sendo geralmente atribuída a personalidades que contribuíram para o desenvolvimento do estado. Além do “comandante do MST”, este ano, foram agraciados o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, o presidente do Banco do Brasil, Alexandre Corrêa Abreu, os ministros Carlos Eduardo Gabas (Previdência Social), Nelson Barbosa (Planejamento) e Bruno Nascimento (Tribunal de Contas da União) e, postumamente, a artesã do Vale do Jequitinhonha Isabel Mendes Cunha, célebre pelas suas bonecas de cerâmica.

A condecoração de Stédile provocou protestos da bancada estadual de oposição ao governador Fernando Pimentel (PT). O líder do bloco, deputado Gustavo Corrêa (DEM), informou que o grupo protocolaria um Projeto de Resolução para cassar a medalha, argumentando que o “comandante” não se enquadra nos critérios de concessão da mesma, em especial, quanto ao item da relevante contribuição ao estado.

O presidente da Comissão de Segurança Pública da Assembleia Estadual, deputado Sargento Rodrigues (PDT), informou que a comissão também aprovou uma moção de repúdio à condecoração de Stédile.

Previsivelmente, o deputado petista Durval Ângelo justificou a iniciativa, qualificando Stédile como um “lutador” e “paradigma do inconfidente” (Tiradentes deve estar rolando de indignação em sua tumba, com tal comparação).

Outro protesto veio do juiz aposentado Mozart Hamilton Bueno, que divulgou uma carta aberta a Pimentel, informando que devolveria a sua medalha. “Discordo que o título seja entregue a um homem que não fez nada por Minas, nem pelo Brasil”, disse ele. Bueno foi agraciado em 1982, depois de sete anos dirigindo o Colégio Tiradentes da Polícia Militar mineira.

Talvez, Pimentel estivesse respondendo à inspiração do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que instou Stédile a mobilizar o seu “exército”, transmitindo uma mensagem aos opositores do PT, de que a ameaça é “à vera”. No entanto, em um momento de sérias turbulências políticas como o atual, com a sociedade brasileira se mostrando majoritariamente indignada com a sucessão de escândalos de corrupção, em todos os níveis do sistema político nacional, e o governo da presidente Dilma Rousseff enfrentando uma forte oposição, a iniciativa do governador mineiro, seu correligionário, sinaliza um temerário e perigoso esfacelamento institucional, na medida em que a ala petista do governo insiste em legitimar o MST como parte do seu aparato de sustentação política.

 

 

 

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