Prêmio Nobel para uma farsa política
24 de outubro (MSIa) - A concessão do Prêmio Nobel da Paz ao ex-vice-presidente estadunidense Al Gore e ao Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas (IPCC, sigla em inglês), pela militância em favor da campanha catastrofista do aquecimento global antropogênico, evidencia definitivamente o caráter político dessa que já se credencia como uma das maiores fraudes científicas da História. Na verdade, embora a inclusão do IPCC tenha sido uma certa supresa, a premiação de Gore já era esperada desde a sua indicação à comissão do Parlamento norueguês responsável pela escolha e, juntamente com o Oscar recebido pelo seu controvertido e anticientífico documentário Uma verdade inconveniente, integra a monumental campanha internacional para tornar irreversível a percepção equivocada do fenômeno e abrir caminho para a adoção das limitações dos usos dos combustíveis fósseis em escala mundial e a transformação das emissões de carbono em commodity, que é um dos seus objetivos reais.
Para azar de Gore e seus cúmplices, a premiação foi antecedida em dois dias pela sentença de um juiz britânico que apontou vários erros no documentário, no processo movido por um pai de dois filhos que se rebelou contra a exibição do filme nas escolas secundárias do Reino Unido, promovida pelo Departamento de Educação, que distribuiu 3.500 DVDs com tal finalidade. Stewart Dimmock, um caminhoneiro de Dover que também integra o conselho de pais e professores da escola dos filhos e disputou as recentes eleições municipais pelo Novo Partido (New Party), acusou as autoridades de promver "lavagem cerebral" nos jovens e afirmou que o documentário é uma obra politicamente tendenciosa e contém sérios problemas científicos, além de "pieguice sentimental". Na ação, ele pediu que sua a exibição fosse proibida nas escolas.
Na sentença, o juiz Michael Burton, do High Court of Justice (tribunal de primeira instância), não proibiu a exibição, mas determinou que antes de cada uma delas os alunos sejam advertidos pelos professores de que se trata de um obra política, que existem outras avaliações sobre o aquecimento global e que eles não precisam acreditar na mensagem nele contida.
A decisão de distribuir o documentário nas escolas secundárias britânicas foi tomada no ano passado, pelo então secretário do Meio Ambiente David Miliband (atual secretário de Relações Exteriores), um ambientalista fanático e ardoroso promotor das limitações ao uso de combustíveis fósseis de acordo com um esquema de mercado (o chamado cap-and-trade). Na ocasião, ele chegou a afirmar que "o debate sobre a ciência das mudanças climáticas está definitivamente encerrado".
Na comunidade científica, exceto entre os adeptos da campanha "aquecimentista", a premiação de Gore foi recebida com desdém. O Dr. William Gray, professor emérito da Universidade Estadual do Colorado e considerado o maior especialista em furacões dos EUA, a rotulou simplesmente como "ridícula". Segundo ele, "estamos lavando os cérebros das nossas crianças. Elas estão vendo o filme de Gore e sendo alimentadas com tudo isso" (AP, 15/10/2007).
"Em dez ou 15 anos, vamos olhar para trás e entender a tolice de tudo isso", afirmou. Falando a uma platéia de estudantes da Universidade da Carolina do Norte, ele ressaltou que "o impacto humano na atmosfera é simplesmente muito pequeno para ter um grande impacto nas temperaturas globais".
Um veterano de 78 anos, Gray coloca o dedo na ferida sobre as motivações de uma importante parte da comunidade científica sobre o tema: "Me incomoda que os meus colegas cientistas não estejam falando contra algo que eles sabem que é errado. Mas eles também sabem que, se falarem, nunca mais conseguirão quaiquer recursos."
Sobre Gore, foi até moderado: "Ele é um desses caras que prega esse tipo de coisas sobre o fim do mundo. Eu acho que ele está prestando um grande desserviço e não sabe do que está falando."
Porém, ao contrário do que diz Gray, o problema é que Gore sabe exatamente o que está fazendo.
Por sua vez, em uma entrevista ao Pittsburgh Tribune-Review (20/10/2007), outro veterano cientista, Siegfried Fred Singer (83 anos), um pioneiro do desenvolvimento dos satélites meteorológicos e uma das maiores autoridades sobre assuntos climáticos de todo o mundo, foi igualmente direto:
Em primeiro lugar, eu não fiquei realmente surpreso. O Prêmio da Paz é um exercício político... É muito interessante, o comitê de seleção vem do Parlamento norueguês, de modo que são todos políticos... É puramente político, ao contrário dos outros prêmios, que são concedidos pelas academias suecas e se baseiam em comitês que sabem alguma coisa sobre o assunto.
Perguntado pelo editor associado do jornal, Bill Steigerwald, se ainda acredita que, no debate sobre o aquecimento global, a ciência boa e honesta acabará prevalecendo sobre a política, Singer respondeu:
Sim, sou otimista, porque, eventualmente, isso deve acontecer. O problema é a palavra "eventualmente?". Nesse meio tempo, um prejuízo enorme pode ser causado à nossa economia, já que vários esquemas estão sendo preparados para controlar as emissões de gás carbônico - essencialmente, para controlar os usos da energia.
Além de dirigir o Science and Environmental Policy Project (SEPP), cuja função principal é apresentar uma visão equilibrada dos problemas ambientais, Singer publicou recentemente o livro Unstoppable Global Warming - Every 1,500 Years (Aquecimento global inevitável - a cada 1.500 anos), juntamente com o economista Dennis T. Avery, no qual desmontam com uma pletora de argumentos científicos as teorias catastrofistas pregadas por Gore et alii, que cedo ou tarde serão desmascaradas como as fraudes que são.



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