Cientistas criticam relatório do IPCC (I)
7 de fevereiro (MSIa) - Ao contrário do que afirmam os propagandistas do aquecimento global antropogênico e a maior parte da mídia, o alegado "consenso" científico sobre o assunto simplesmente não existe. Desde a criação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), muitos cientistas de ponta têm criticado sistematicamente a atuação do órgão e a maneira como as suas conclusões são divulgadas. Já em 1996, o Dr. Frederick Seitz, um dos mais respeitados cientistas estadunidenses, denunciara as divergências entre o texto completo do segundo relatório do órgão e o resumo, divulgado um mês antes:
Em meus mais de 60 anos como membro da comunidade científica estadunidense, inclusive como presidente da Academia Nacional de Ciências e da Sociedade Americana de Física, eu nunca presenciei uma corrupção mais perturbadora do processo de revisão de pares como nos eventos que produziram esse relatório do IPCC... Os cientistas participantes aceitaram "A Ciência das Mudanças Climáticas" em Madri, em novembro último; a plenária do IPCC o aceitou no mês seguinte, em Roma. Mas mais de 15 seções no capítulo 8 do relatório - o capítulo-chave que estabelecia as evidências científicas a favor e contra uma influência humana no clima - foram alteradas ou eliminadas depois que os cientistas encarregados de examinar essa questão haviam aceito o texto supostamente final.
Poucas dessas mudanças foram meramente cosméticas; quase todas removiam as sugestões de ceticismo com as quais muitos cientistas se referem às alegações de que as atividades humanas estão tendo um grande impacto no clima, em geral, e no aquecimento global, em particular.
Uma fraude escandalosa marcou o terceiro relatório do IPCC, divulgado em 2001. Um dos principais elementos apresentados como evidência irrefutável do papel do homem no aquecimento de 0,6oC observado ao longo do século XX foi um gráfico produzido pela equipe do paleoclimatologista Michael E. Mann, então na Universidade de Massachussetts. O gráfico, baseado no estudo de anéis de árvores e outras fontes, mostrava um ligeiro resfriamento de 0,2oC para o Hemisfério Norte, no período 1000-1900, seguido de uma brusca elevação de 0,6oC, no período 1900-2000. Por sua forma, ficou conhecido como o "bastão de hóquei de Mann" e foi extensamente exibido em todo o mundo como uma prova cabal da ação humana no clima. O problema é que, como foi prontamente demonstrado, o gráfico era, simplesmente, falso.
Para começar, cientistas sérios (geralmente rotulados depreciativamente como "céticos") suspeitaram do fato de que o gráfico de Mann et alii eliminava sumariamente as duas grandes e bem estabelecidas flutuações climáticas ocorridas no período: o chamado Ótimo Climático Medieval, entre 800-1300, quando as temperaturas no Hemisfério Norte eram cerca de 1,5-2oC superiores às atuais; e a Pequena Idade do Gelo, entre 1350-1850, da qual o ligeiro aquecimento recente é uma recuperação (antes da politização da climatologia, as geociências rotulavam os períodos mais quentes que o atual como "ótimos climáticos", devido à constatação de que temperaturas ligeiramente mais altas são mais favoráveis à biosfera).
Pouco depois, dois estatísticos canadenses da Universidade de Guelph, Ontario, Stephen McIntyre e Ross McKitrick, analisaram os dados e a metodologia usados pela equipe de Mann e concluíram que os algoritmos empregados sempre produziam um gráfico em forma de bastão de hóquei, independentemente dos dados aplicados a eles. Posteriormente, por solicitação do deputado Joe Barton, então presidente do Comitê de Energia e Comércio da Câmara dos Deputados dos EUA, o Dr. Edward J. Wegman, da Universidade George Mason e considerado um dos maiores especialistas em modelos estatísticos computadorizados do país, também revisou o trabalho de Mann e chegou à mesma conclusão.
Ademais, Wegman fez uma crítica devastadora à comunidade dos "aquecimentistas", que, segundo ele, formam um grupo tão fechado em si próprio que impossibilita qualquer revisão independente de trabalhos como o de Mann. Em suas palavras, "existe um grupo estreitamente interligado de indivíduos que acredita apaixonadamente em suas teses. Entretanto, a nossa percepção é a de que este grupo tem um mecanismo de retroalimentação que se auto-reforça e, ademais, o trabalho tem sido tão politizado que eles dificilmente podem reavaliar as suas posições públicas sem perder a credibilidade".
Diante da fraude comprovada, o IPCC não fez qualquer retratação, embora tenha excluído o trabalho de Mann do recente relatório.
Outro crítico veemente do modus operandi do IPCC é o Dr. Garth Paltridge, que até recentemente era diretor de Estudos Antárticos da Universidade da Tasmânia. Diz ele:
Cada um dos sucessivos resumos (do IPCC) têm sido escritos de forma a parecer um pouco mais certos do que o anterior sobre o fato de o aquecimento global ser um desastre potencial para a Humanidade. A crescente certeza verbal não provém de qualquer avanço particular da ciência. Em vez disto, é uma função de quão fortemente uma declaração sobre o aquecimento global pode ser feita sem incorrer em um rechaço significativo da comunidade científica em geral. Ao longo dos anos, a opinião dessa comunidade tem sido manipulada para chegar a um apoio mais ou menos passivo, por meio de uma campanha deliberada para isolar - e, de fato, denegrir - os cientistas céticos que estão fora da atividade central do IPCC. A platéia tem sido ativamente condicionada para ser receptiva. Por conseguinte, tem se tornado gradativamente mais fácil vender a proposta do desastre do aquecimento.
Vale mencionar que o Dr. Paltridge tem denunciado publicamente as ameaças de corte de recursos para o programa dirigido por ele, por parte da Organização de Pesquisas Científicas e Industriais da Comunidade Britânica de Nações (CSIRO, em inglês), o principal órgão financiador de pesquisas do governo australiano, depois que passou a criticar publicamente o "consenso" sobre o aquecimento global.



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