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Copenhague: “Climagate” e convescote

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image Apesar das baixas temperaturas, o clima na capital dinamarquesa foi bem representado pela dupla de ambientalistas fotografada pela BBC

A eclosão do escândalo já conhecido como “Climagate” obrigou o aparato ambientalista reunido em Copenhague para a 15ª. Conferência das Partes sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas (COP-15) a um vasto esforço de controle de danos, para evitar um prejuízo ainda maior para a já complicada agenda do convescote. Após a surpresa e os constrangimentos iniciais, um exército de altos funcionários da ONU, cientistas engajados na campanha “aquecimentista”, colunistas ambientais e políticos foi prontamente mobilizado para o contra-ataque. Em uma das manifestações mais bizarras, o premier britânico Gordon Brown, que fez do aquecimento global antropogênico uma profissão de fé, afirmou que os questionadores de tal cenário catastrofista poderiam ser equiparados a crentes na “Terra plana”. Brown pretende que saia de Copenhague um acordo sobre limites de emissões que seja aprovado internacionalmente em um prazo máximo de seis meses.

Para reforçar o esforço, o Gabinete Meteorológico britânico (Met Office) divulgou os resultados de uma nova avaliação climática, afirmando que a presente década é a mais quente registrada desde o início das medições diretas com termômetros, em meados do século XIX. A iniciativa evidencia as pressões diretas do Governo Brown sobre o órgão, que, dias antes, após a eclosão do “Climagate”, havia anunciado que iria proceder a uma reavaliação das séries de temperaturas ao longo do século XX, o que levaria três anos. A própria imprensa britânica afirmou que Brown e seu ultramilitante ministro do Meio Ambiente Ed Miliband estavam pressionando o Met Office para desistir da idéia, para não correr o risco de lançar ainda mais dúvidas sobre os cenários de aquecimento atmosférico. Pelo visto, as pressões funcionaram e a mídia internacional está agora trombeteando as novas informações.

Ao mesmo tempo, um reforço inesperado veio dos EUA, onde a Agência de Proteção Ambiental (EPA) declarou que o dióxido de carbono (CO2) e outros cinco gases de efeito estufa são poluentes perigosos para a saúde humana e o meio ambiente. Se o Congresso não bloquear a medida (que permitiu ao governo de Barack Obama apresentar um trunfo de última hora em Copenhague), estará aberto o caminho para a incorporação em grande escala dos EUA ao florescente mercado de “créditos de carbono”, que já movimenta somas superiores a 100 bilhões de dólares anuais.

Não obstante, as repercussões do escândalo estão longe de se dissiparem. O diretor da Unidade de Pesquisas Climáticas (CRU) da Universidade de East Anglia, Phil Jones, foi obrigado a se afastar do cargo enquanto o caso estiver sendo oficialmente investigado. O vazamento deliberado de um arquivo com e-mails e documentos trocados entre cientistas da CRU e um seleto grupo de colegas estadunidenses engajados na campanha “aquecimentista” foi a origem do escândalo, no final de novembro.

Na Austrália, um dos principais alvos do aparato “aquecimetista”, o Senado rejeitou a aprovação de uma lei que estabeleceria limites para as emissões de carbono no país, em um duro golpe para o governo do premier Kevin Rudd, que tinha na lei uma de suas prioridades.

Ademais, a mobilização não impediu que o escândalo entrasse na pauta oficial logo no primeiro dia dos trabalhos, quando o representante saudita questionou qualquer acordo estabelecido com base em dados científicos colocados sob suspeita. Além disto, o início da conferência foi marcado pela divulgação do rascunho de uma proposta esboçada pela Dinamarca, os EUA e o Reino Unido, o qual estabelecia limites extremamente desiguais para as emissões em 2050 (!), permitindo aos países industrializados o dobro de emissões per capita que as economias em desenvolvimento. Seguramente, outras “surpresas” do gênero estarão na pauta com o avanço dos trabalhos, cujos desdobramentos são imprevisíveis.

De qualquer maneira, nada demonstra melhor o caráter “festivo” da conferência do que os números referentes aos meios de transporte utilizados pelos delegados. Em uma cidade que se orgulha do seu perfil “ambientalmente amigável”, aí incluída a sua eficiente rede de transportes coletivos, os integrantes das delegações oficiais a um evento destinado a “salvar o mundo” demonstraram bem poucas preocupações com as suas próprias emissões de carbono. O jornal Daily Telegraph (5/12/2009) revelou que 1.200 limusines foram alugadas para a conferência. Como o número era superior ao existente no país, muitas tiveram que ser trazidas da Alemanha e da Suécia, rodando centenas de quilômetros. Igualmente, os 140 jatos executivos privados esperados terão que descer em aeroportos regionais ou na vizinha Suécia, devido às limitações do aeroporto da capital dinamarquesa. Segundo o diário inglês, a conferência produzirá emissões de carbono equivalentes às emitidas no mesmo período (11 dias) pela cidade inglesa de Middlesbrough, que tem 145 mil habitantes.

Dentro do clima de convescote, o Brasil enviou a Copenhague uma delegação-monstro de mais de 700 pessoas, de longe a maior de todas - como, aliás, tem sido uma constante nas conferências climáticas da ONU, pelo menos desde Bali, em dezembro de 2007. Resta ver os compromissos que serão assumidos pelo País que pretendia “liderar” o processo.

Um toque final emblemático do caráter do evento foi dado pelas prostitutas de Copenhague, que anunciaram sexo gratuito para qualquer delegado com credenciais oficiais da conferência. Como afirmou o correspondente do Telegraph, Andrew Gilligan, em Copenhague, “pelo menos o sexo será neutro em CO2”.

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