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O insustentável peso da realidade

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image A inexistência de estadistas do porte de Abraham Lincoln dificulta o enfrentamento da crise sistêmica global

N.E. - Por sua oportunidade, reproduzimos o editorial da edição de 26 de janeiro de 2004 da Resenha Estratégica.

O grande presidente estadunidense Abraham Lincoln costumava dizer que, embora seja possível enganar todos por algum tempo e alguns por todo o tempo, não é possível enganar todos por todo o tempo. Em outras palavras, pode-se dizer que as sociedades e seus governos não podem contrariar indefinidamente as leis universais, no que estas se traduzem nos princípios que regem a evolução da Humanidade e a economia de povos e nações. As crises civilizatórias, como a que presentemente assola o planeta, ocorrem precisamente quando tais princípios são transgredidos durante um certo tempo - o qual, com a aceleração da dinâmica da História, vem se reduzindo cada vez mais rapidamente.

A crise atual é o resultado de tendências deflagradas a partir da década de 1960 por círculos oligárquicos do Hemisfério Norte, as quais reverteram drasticamente o impulso progressista experimentado pela Humanidade em seu conjunto nas duas primeiras décadas após a II Guerra Mundial, que, para a maioria dos países do mundo, representou o período de maior desenvolvimento de toda a História. Entre elas, destacam-se a "financeirização" da economia mundial, com o descolamento entre o sistema financeiro e os setores produtivos, e a politização do malthusianismo e sua variante ambientalista, elevados a fatores determinantes da formação de políticas públicas e das relações internacionais.

A combinação desses e outros fatores correlatos formou uma resultante entrópica, que, visivelmente, está levando o mundo a um impasse. Com o seu peso insustentável para os que se atrevem a ignorá-la na escala histórica, a realidade vem se impondo com celeridade crescente aos desígnios delirantes dos candidatos a "donos do mundo". No futuro imediato, a percepção de que não é possível continuar percorrendo esse labirinto sem saída terá que estar no centro das decisões e ações de todos os cidadãos comprometidos com a causa da Civilização.

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